Saiba o que você pode aprender com as inovações de “Star Wars”

Entenda como a saga não só revolucionou a indústria do entretenimento, como também trouxe lições importantes para o mundo dos negócios.

“Star Wars” é mais do que um filme. É um grande negócio. A saga é, sem dúvida, um dos maiores fenômenos da indústria do entretenimento nos últimos 50 anos. Os personagens são cultuados como heróis. Os resultados dos seis filmes são a maior prova do retumbante sucesso. “Star Wars” não só revolucionou a indústria do entretenimento, como trouxe lições de inovação para o mundo dos negócios.

Em uma galáxia nem tão distante, conheci a saga. Lembro-me bem de meu pai chegando em casa com aquela fita VHS (não existia Netflix nos anos 1980), para assistirmos juntos a um novo filme. O “Star Wars: uma nova esperança” devo ter visto quase uma centena de vezes, já que minha mãe o colocava quase que semanalmente para rodar.

Foi o início da minha inspiração com a história. Depois disso, assisti a todos os episódios, com especial predileção pelo Retorno de Jedi. “Star Wars” foi a minha maior influência de entretenimento na infância. Mais do que isso, foi um veículo de difusão de valores importantes como disciplina, amizade, luta e coragem.

O episódio mais recente, “Star Wars: o desperta da força”, lançado em dezembro de 2015, permite traçar alguns aprendizados sobre gestão, negócios e inovação:

A revolução dos efeitos especiais

O primeiro episódio, “Star Wars: uma nova esperança”, que na realidade só recebeu esse subtítulo anos depois, dado que George Lucas não tinha nenhuma certeza da continuidade do projeto, marcou o nascimento da era dos blockbusters e do uso dos efeitos especiais como um atributo de diferenciação do produto. Inovadores fazem exatamente isso: introduzem novas dimensões de valor em negócios existentes.

O tema já fora apresentado anteriormente por outras obras, mas foi a saga que o catapultou a um novo estágio e abriu caminho para o que conhecemos hoje. Entre os 10 Oscars que a saga recebeu, está o de efeitos especiais. Os sons e as imagens dos filmes estão vivos até hoje na lembrança de todos. Quem não se recorda do som do sabre de luz ou da voz de Darth Vader?

A força do storytelling

Atualmente, as marcas querem ter o próprio storytelling, mas nada foi mais efetivo em conectar mitologia, personagens e relacionamentos para criar emoções do que “Star Wars”.

Os seis episódios evidenciam a força do storytelling e abriram espaço para novas e futuras oportunidades baseadas na ideia original, ou mesmo como spin-offs do núcleo central. Discute-se a ideia de fazer um filme de Yoda. Não foi à toa que, recentemente, a Disney comprou a franquia de George Lucas por US$ 4 bilhões. “Star Wars” não é o filme do Batman ou do Homem Aranha, mas de Luke, Yoda, Leia, Han Solo, Darth Vader e tantos outros personagens.

A pré-venda e a antecipação de receitas

O novo “Star Wars: o desperta da força” abriu espaço para uma iniciativa muito interessante. A Disney, nova proprietária da franquia, comercializou antecipadamente os ingressos para estreia e pré-estreia. Eu fui um dos malucos que antecipou a receita para a Disney algumas semanas antes de o filme estar disponível. Além do impacto no fluxo de caixa de mais de US$ 50 milhões comercializados em ingressos, a empresa garante, com isso, a fidelidade e o sentimento de privilégio em seus fãs “earliy adopters”, para usar uma linguagem da inovação.

A diversificação das fontes de receita

“Star Wars” marcou o início do negócio de licenciamento de produtos. Me recordo bem de uns bonecos de ferro de Luke e Darth Vader, até certo ponto mal-acabados, que ganhei de meus pais nos anos 1980. George Lucas antecipou essa oportunidade e baseou seus ganhos no merchandising. Foram desenvolvidos jogos, livros, histórias em quadrinhos, eventos internacionais, bonecos, cartas e armas de brinquedo (inclusive sabres de luz).

Consolidou-se a visão de que o filme é uma “plataforma” que pode ser monetizada de diferentes formas, e não apenas com a receita da bilheteria dos cinemas. A projeção de analistas é de que o novo episódio possa faturar US$ 5 bilhões em merchandising utilizando um modelo de negócios em que George Lucas apostou em 1977.

A comunidade da marca como força motriz

Todos os produtos e negócios querem ter clientes que os defendam. O legado de “Star Wars” é sustentado por uma comunidade de fãs que se auto-organiza em eventos, ações e projetos de culto à marca, agora potencializados pelas redes sociais. Marcas como Apple, Lego e Harley-Davidson são exemplos atuais exitosos de culto à marca.

Nunca na indústria do cinema um filme formou uma legião tão intensa de seguidores que se vestem como seus personagens. Alguns deles tatuam momentos da saga nos próprios corpos. Essa comunidade é, também, uma enorme fonte de ideias e inspirações para potenciais futuras inovações.

Em resumo, a saga soube desenvolver-se com o tempo. Incorporar novas tecnologias. Aproveitar o fenômeno das redes sociais. Mitificar seus personagens junto a novos públicos. A forma de comunicar seu storytelling, fomentar sua marca, nutrir sua comunidade e identificar novas fontes de receita são inovações que trazem aprendizados de uma galáxia nem tão distante que podem servir de inspiração para empreendedores e inovadores.

Que a força esteja com você!

Conteúdo feito em parceria com a Endeavor Brasil